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A medalha de ouro da competição ficou com
a suíça Tanja Frieden, sétima colocada
no último Campeonato Mundial. A prata foi para a
americana Lindsey Jacobelis, primeira do ranking da Federação
Internacional de Esqui (FIS), e o bronze para a canadense
Dominique Maltais, quarta colocada no último Mundial.
Até a apresentação de Isabel Clark
em Bardonecchia, a melhor colocação brasileira
em Jogos Olímpicos de Inverno era o 27° lugar
do bobsled em Salt Lake City, em 2002.
O boardercross é uma mistura de competição
de estilo livre, por causa das manobras e saltos, e de snowboard
alpino, pela descida em alta velocidade. Alguns consideram
a modalidade próxima ao motocross, pelos saltos,
curvas e a disputa ombro a ombro dos atletas. Esta foi a
primeira vez que o boardercross foi disputado em Jogos Olímpicos,
já com uma brasileira entre as dez melhores. "Este
resultado extraordinário da Isabel Clark Ribeiro
é melhor do que o de muitos atletas brasileiros que
disputaram os Jogos Olímpicos de Verão, inclusive
os Jogos de Atenas- 04", disse o presidente do Comitê
Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. "Este
resultado histórico, o melhor do Brasil em uma edição
de Jogos Olímpicos de Inverno, entusiasma os jovens
brasileiros que amam os esportes de inverno", completou
Nuzman.
A prova de boardercross feminina contou com 23 participantes.
Destas, 17 eram mais bem colocadas no ranking mundial do
que a brasileira. Isabel é a 29ª no ranking
mundial da FIS, que controla também o snowboard.
Na primeira etapa, qualificatória, as competidoras
desceram duas vezes sozinhas na pista. O melhor dos dois
tempos valeu para classificar as 16 mais velozes à
fase final. Isabel foi a 18ª atleta a entrar na pista
para sua primeira descida, onde já surpreendeu. A
carioca marcou o tempo de 1min32s12, sendo a terceira mais
rápida entre todas as competidoras. Na segunda descida,
Isabel marcou 1min31s49, caindo para a sexta posição.
Mesmo com a sexta melhor colocação, Isabel
não teve facilidade e deu azar na composição
das chaves finais. Nas quartas-de-final, a carioca enfrentou
nada menos do que a americana Lindsey Jacobelis, que acabou
com a medalha de prata, a suíça Mellie Francon,
terceira do ranking, e a francesa Karine Ruby, considerada
a melhor do mundo. Lindsey Jacobelis foi campeã mundial
no bordercross em 2005. Karine Ruby é considerada
a melhor snowboarder de todos os tempos, tendo conquistado
o ouro no slalom gigante em Nagano-98 e prata no slalom
gigante paralelo em Salt Lake-02. Isabel não largou
bem, saiu atrás das adversárias, mas ultrapassou
Karin Ruby ao final do percurso, ficando em terceiro na
bateria, o que lhe garantiu a vaga na disputa do nono ao
12° lugar.
Na sua última descida, Isabel enfrentou a francesa
Deborah Anthonioz, sexta colocada no último Campeonato
Mundial; a suíça Olívia Nobs, quarta
colocada no ranking mundial; e a alemã Katharina
Himmler. Isabel largou por último mais uma vez, mas
teve tranqüilidade para vencer a bateria. Ainda no
início do percurso, as três adversárias
se embolaram em uma curva e caíram. Isabel teve perícia
para escapar do acidente e concentração para
seguir adiante sem perder o foco na linha de chegada. "Quando
elas caíram eu mantive a calma e o olhar na continuação
da pista. Já aconteceu de eu ultrapassar adversárias
que haviam caído, perder a concentração
e cair também", explicou Isabel. "Hoje
eu competi com muita confiança, tranqüila, sabendo
o que estava fazendo o tempo todo, fazendo a melhor linha
da pista possível", disse a brasileira.
Isabel se preparou intensamente para a disputa dos Jogos
Olímpicos de Turim, participando das principais etapas
da Copa do Mundo. Seu melhor resultado na competição
foi um oitavo lugar na etapa de Whistler, no Canadá,
em novembro passado. Há dois anos Isabel vive exclusivamente
para as competições de snowboard. "Agora
eu tenho o suporte do Comitê Olímpico Brasileiro
e da Confederação Brasileira de Desportos
na Neve. Este suporte me permitiu formar uma excelente equipe
e correr as principais etapas da Copa do Mundo. Essa colocação
olímpica é fruto de muito trabalho",
disse Isabel. "O trabalho de todos foi realmente muito
intenso. A Isabel é uma garota muito dedicada e toda
a equipe está de parabéns. O nono lugar em
Jogos Olímpicos é um marco para os esportes
de inverno do Brasil", comemorou Stefano Arnhold, presidente
da Confederação Brasileira de Desportos na
Neve.
Isabel teve o primeiro contato com o snowboard aos 17 anos,
através do irmão Leonardo, em uma viagem à
Califórnia, e logo se apaixonou pelo esporte. A partir
daí, sempre que podia, viajava para o Vale Nevado,
no Chile, para poder praticar. Para poder bancar os treinamentos
e ficar mais tempo em contato com a neve, Isabel passou
a ser instrutora de snowboard, aos 21 anos. Foi quando começou
a disputar os primeiros campeonatos brasileiros. Isabel
é onze vezes campeã brasileira e pentacampeã
sul-americana. "Fui deixando de ser instrutora aos
poucos. Hoje me dedico exclusivamente às competições
e treinamentos. Todo o trabalho valeu a pena", disse
Isabel Clark.
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Clique aqui para visitar o site oficial da atleta Isabel
Clark.
10/02//2006
Olimpíadas
de Inverno Começam Hoje!
Hoje, a partir das 17h (de Brasília), cerca de dois
bilhões de pessoas ao redor do mundo estarão
assistindo à festa de abertura das XXI Olimpíadas
de Inverno de Turim, na Itália. Durante as Olimpíadas,
cerca de dois mil e quinhentos atletas de 85 países
estarão competindo em 15 modalidades.
O Brasil estará levando sua maior delegação
para esta edição do evento, competindo com
10 atletas nas categorias de esqui alpino, esqui cross country,
snowboard cross e bobsled. A grande novidade é a
participação brasileira em competições
olímpicas de snowboard. A carioca Isabel Clark, depois
de muitos anos competindo e treinando, conseguiu a tão
batalhada classificação. Isabel não
só é a melhor atleta de snowboard do Brasil,
mas de toda a América do Sul, registrando o 29°
lugar no ranking mundial. A carioca será também
a porta-bandeira durante a cerimônia de abertura.
"Será uma grande emoção desfilar
com nossa bandeira. Fiquei muito orgulhosa em ser honrada
por esta escolha. Minha confiança em realizar uma
bela competição aumentou ainda mais"
- disse Isabel, que terá sua primeira descida classificatória
no dia 17.
10/02//2006
Entrevista
com Isabel Clark
Onde você esteve treinando recentemente para as Olimpíadas
de Inverno?
Isabel Clark: Em Val Thorens na França, onde
estivemos treinando antes de entrar na Vila Olímpica.
É um lugar ótimo para treinar, com boas pistas,
bom parque e pista de SBX. Além de ser a estação
mais alta da Europa o que facilitará o condicionamento
já que Bardonecchia, onde será a competição,
está mais baixo.
Como você se preparou para as competições?
Passei todo Novembro em Santiago, fazendo preparação
física e sessões com meu psicólogo
esportivo Gastón Ortz de Rozas. Depois parti para
Whistler com meu treinador, Iván Fuenzalida onde
participei da Copa do Mundo, e depois treinamos durante
o resto do mês. Em seguida tivemos algumas etapas
da Copa do Mundo na Áustria e Italia, onde o Gastón
voltou a se juntar comigo . Estou tendo o apoio dos dois
agora o que está sendo muito bom. Nesta etapa peguei
um resfriado muito forte e fiquei fora de uma Copa do Mundo
na Italia, mas depois da melhora voltei forte para as pistas
conquistando dois quartos lugares na França.
O Iván me ajuda a melhorar tecnicamente, observando
o que estou fazendo na pista e como posso fazer melhor.
O Gastón me ajuda com o objetivo de buscar uma atitude
decidida e competitiva nas competições. Graças
ao apoio da CBDN estou fazendo uma preparação
deste nível e podendo contar com a ajuda de profissionais,
o que é indispensável no nível que
estou.
Qual o equipamento que está usando? Algo especial
ou novo para lhe dar uma vantagem nas provas?
Estou com um ótimo patrocínio da Rossignol,
começamos a pouco tempo e construímos uma
boa relação e confiança, eles estão
contentes com o trabalho que tenho feito e fazem o possível
para me ajudar da melhor forma e estou muito contente com
o material que me passam.
Esta temporada estou usando uma prancha especial para mim,
com a base toda negra para deslizar mais e flexibilidade
especial para mim. O molde da prancha corresponde ao modelo
Jonas Emery que é um pouco mais larga para ter um
pouco mais de superfice de deslizamento, e o tamanho é
161. Estou usando uma bota que é a bota mole mais
dura que já usei, demorei alguns dias para me acostumar
e amolecê-las um pouco. Agora estou adorando pois
são super precisas. E os bindings são do modelo
HC 3000 deste ano que são um pouco mais duros que
ano passado, mas muitos bons também.
- Você tem uma preferência entre as descidas
de tomada de tempo e as descidas em baterias de 4 pessoas?
Em qual você costuma ter uma performance melhor?
É bem diferente. Com certeza as baterias de 4 são
mais dificeis do que descer sozinha na classificação,
mas é um desafio maior descer de 4. A concentração
é o que mais conta para não se distrair com
o fato de ter outras pessoas descendo junto. O objetivo
é estar bem centrado na pista e em si a atenta e
pronta para qualquer acontecimento inesperado, sempre buscando
a velocidade. A partida nas baterias é super importante
também já que quem tem uma melhor partida
já sai em vantagem na frente. Não sei qual
sou melhor, pois às vezes desço super bem
na classificação e às vezes super bem
nas finais também, ou seja, quando estou bem concentrada
desço bem nas duas.
- Esse é o primeiro ano que terá SBX (Snowboard
Cross) nas Olimpíadas. Você acha que isso
faz do evento mais especial ainda, já que é
a primeira vez que há SBX e é primeira vez
que um atleta de snowboard brasileiro se classifica?
Com certeza, o SBX é um esporte novo nas
Olimpíadas e por isso deve crescer muito. A tendência
do esporte é evoluir cada vez mais. E o SBX é
uma modalidade mais acessível a todos por ter características
de cada modalidade como saltos, velocidade. carving, agilidade,
etc. Acho que vai ser um evento muito bonito e emocionante
de se assistir.
Como você está se sentindo em relação
a tudo isso, o seu sonho se realizando?
Com certeza sempre tive vontade de ir às
Olimpíadas, e estou trabalhando forte para chegar
bem lá, tanto que nem tenho muito tempo de pensar
que é um sonho. Estamos treinando cada aspecto, como
técnico, físico, piscológico e a consequência
disso é estar sempre concentrada em me superar e
fazer o que quero fazer na pista.
Você gostaria de deixar algum comentário?
Gostaria de agradecer o apoio da CBDN que está
sendo fundamental para fazer tudo isso possível.
E e o apoio da Osklen, que sempre me apoiou e agora fechamos
um patrocínio que vai ser fundamental para a minha
carreira, já que quero ir até as Olimpíadas
de Vancouver 2010, e mais do que nunca vou precisar da força
de patrocinadores como a Osklen.
Estamos torcendo por você. Boa sorte!
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Clique aqui para ver o calendário de provas de
snowboard nas Olimpíadas de Inverno 2006.
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Clique aqui para visitar o site oficial da atleta Isabel
Clark.
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