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SNOWTRIPS
Snowboard no Vulcão Villarica
por Andrés Baró


parte I - intro e subida | parte II - cume e descida

Ambiente inóspito na cratera: ventos fortes, gelo, frio e forte cheiro de pólvora. Bene na boca do Villarrica.


Bene dropando a neve virgem

Isabel Clark descendo em alta velocidade


Bene salta com o lindo visual do Lago Villarica a sua frente

Patocinadores e apoiadores da aventura:



Enfim a Hora do Snowboard!
Chegamos mortos à boca do vulcão que exalava fumaça fedida e preta. O gosto forte de pólvora, devido ao enxofre expelido, ficou na garganta pelos seguintes dias. Não conseguimos ver a lava, como outros já testemunharam em dias que esta apresentara níveis mais elevados. Klaus nos alerta para não chegar perto da beirada, sob o risco de quebra do gelo e morte horrível.

Apressados pelo guia, começamos a descida a pé vencendo o sabão daqueles intermináveis metros de gelo. Um dos grampões da bota de Isabel quebrou e, no primeiro sinal de neve ela colocou a prancha nos pés: “Foi loucura! O gelo voltou e tive que vencê-lo na marra, com a ajuda do piolet”. Bene machucou a mão ao descer uma ladeirona gelada com a ferramenta na mão. Ao colocar a prancha, ele deixou cair uma das luvas e quando desceu, levou uma vaca e caiu com o piolet na mão despida - quase quebra os dedos.

O snowboard foi mágico! Apesar da neve apresentar vários trechos congelados, devido às baixas temperaturas do fim de tarde. Surfamos o Villarrica sob a luz de um maravilhoso pôr-do-sol. Todo aquele exótico cenário ficou laranja... Vermelho... “Foi uma experiência única!”, impressionava-se Isabel. Cansada e feliz apontava a aventura como uma das mais intensas de sua carreira como snowboarder. A velocidade acelera, as curvas são a única maneira de frear o snow. O forte barulho das bordas indicam que raspamos trechos invisíveis de gelo... Por vezes as quedas são inevitáveis.

Chegamos à base do centro de esqui às escuras! Exaustos acompanhamos o drama de Bene: ele corre para carro e se manda para a farmácia – tinha urgência de curar sua mão. O carro brasileiro, já na casa dos dez mil quilômetros chilenos rodados, não pega... A loucura continua: downhill na lama da estrada com o motor morto...

Terra de Ninguém
Aqui ocorreu a maior energia sísmica do planeta no século XX. Foi como se o globo sofresse um violento soar de sino. No dia 22 de maio de 1960, o desastroso terremoto produziu danos incomensuráveis à região: o solo da capital provinciana, Valdívia, afundou três metros, lagos formaram-se na cordilheira, outros causaram enormes avalanches, inundações e, ainda, promoveu um gigantesco maremoto no Oceano Pacífico, atingindo até a Nova Zelândia e as distantes praias do Japão. Os grandes terremotos na região que se tem noticia aconteceram em 1575, 1737, 1786, 1837 e 1960.

Outra atividade geológica perigosa, não menos interessante nesta conturbada zona do Chile, é a forte presença de vulcões. Destacam-se o Llaima (3060), o Villarrica (2847), o Quetrupillán (2360), o Lanin (3807) e o Mocho-Choshuenco (2415). Os mais ativos são o Llaima, que registrou 48 erupções entre 1640 e 1996, e o Villarrica, com 82 erupções entre 1558 e 1984. Um forte “espirro” de qualquer um pode provocar reações em cadeia; cataclismos estes testemunhados nos anos 1640, 1750 e 1765 pelas comunidades indígenas mapuches – los hombres de la tierra, povo de brava resistência à colonização espanhola.

Quando um vulcão entra em atividade, a mortífera lava é antecedida pelas temidas “corridas vulcânicas”, as que causam mais estragos. O fenômeno se dá pelo derretimento violento do gelo e neve das encostas durante o momento da erupção, e arrastam lodo, areia vulcânica, árvores... Formam-se as chamadas “avenidas” nas ladeiras do vulcão. Após a corrida, o recheio avança lentamente em forma de lava, geralmente em pouca quantidade, e incendeia tudo o que encontra pela frente. A última vez que a lava chegou ao Lago Villarrica, na base do vulcão, foi em 1968. Em 71, com uma nova erupção, a corrida arrasou o antigo povoado de Coñaripe, onde agora restam cruzes em memória às vítimas na beira da estrada.

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Andrés Baró, 28, carioca, jornalista, autor do texto e fotografias.Para mais informarções visite o site www.oniria.com.br ou mande email para andbaro@onira.com.br


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