Ambiente
inóspito na cratera: ventos fortes, gelo, frio e forte cheiro
de pólvora. Bene na boca do Villarrica.

Bene dropando a neve virgem
Isabel Clark descendo em alta velocidade
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Enfim
a Hora do Snowboard!
Chegamos mortos à boca do vulcão que exalava fumaça
fedida e preta. O gosto forte de pólvora, devido ao enxofre
expelido, ficou na garganta pelos seguintes dias. Não conseguimos
ver a lava, como outros já testemunharam em dias que esta
apresentara níveis mais elevados. Klaus nos alerta para
não chegar perto da beirada, sob o risco de quebra do gelo
e morte horrível.
Apressados pelo guia, começamos a descida a pé vencendo
o sabão daqueles intermináveis metros de gelo. Um
dos grampões da bota de Isabel quebrou e, no primeiro sinal
de neve ela colocou a prancha nos pés: “Foi loucura!
O gelo voltou e tive que vencê-lo na marra, com a ajuda
do piolet”. Bene machucou a mão ao descer uma ladeirona
gelada com a ferramenta na mão. Ao colocar a prancha, ele
deixou cair uma das luvas e quando desceu, levou uma vaca e caiu
com o piolet na mão despida - quase quebra os dedos.
O snowboard foi mágico! Apesar da neve apresentar vários
trechos congelados, devido às baixas temperaturas do fim
de tarde. Surfamos o Villarrica sob a luz de um maravilhoso pôr-do-sol.
Todo aquele exótico cenário ficou laranja... Vermelho...
“Foi uma experiência única!”, impressionava-se
Isabel. Cansada e feliz apontava a aventura como uma das mais
intensas de sua carreira como snowboarder. A velocidade acelera,
as curvas são a única maneira de frear o snow. O
forte barulho das bordas indicam que raspamos trechos invisíveis
de gelo... Por vezes as quedas são inevitáveis.
Chegamos à base do centro de esqui às escuras! Exaustos
acompanhamos o drama de Bene: ele corre para carro e se manda
para a farmácia – tinha urgência de curar sua
mão. O carro brasileiro, já na casa dos dez mil
quilômetros chilenos rodados, não pega... A loucura
continua: downhill na lama da estrada com o motor morto...
Terra de Ninguém
Aqui ocorreu a maior energia sísmica do planeta no século
XX. Foi como se o globo sofresse um violento soar de sino. No
dia 22 de maio de 1960, o desastroso terremoto produziu danos
incomensuráveis à região: o solo da capital
provinciana, Valdívia, afundou três metros, lagos
formaram-se na cordilheira, outros causaram enormes avalanches,
inundações e, ainda, promoveu um gigantesco maremoto
no Oceano Pacífico, atingindo até a Nova Zelândia
e as distantes praias do Japão. Os grandes terremotos na
região que se tem noticia aconteceram em 1575, 1737, 1786,
1837 e 1960.
Outra atividade geológica perigosa, não menos interessante
nesta conturbada zona do Chile, é a forte presença
de vulcões. Destacam-se o Llaima (3060), o Villarrica (2847),
o Quetrupillán (2360), o Lanin (3807) e o Mocho-Choshuenco
(2415). Os mais ativos são o Llaima, que registrou 48 erupções
entre 1640 e 1996, e o Villarrica, com 82 erupções
entre 1558 e 1984. Um forte “espirro” de qualquer
um pode provocar reações em cadeia; cataclismos
estes testemunhados nos anos 1640, 1750 e 1765 pelas comunidades
indígenas mapuches – los hombres de la tierra, povo
de brava resistência à colonização
espanhola.
Quando um vulcão entra em atividade, a mortífera
lava é antecedida pelas temidas “corridas vulcânicas”,
as que causam mais estragos. O fenômeno se dá pelo
derretimento violento do gelo e neve das encostas durante o momento
da erupção, e arrastam lodo, areia vulcânica,
árvores... Formam-se as chamadas “avenidas”
nas ladeiras do vulcão. Após a corrida, o recheio
avança lentamente em forma de lava, geralmente em pouca
quantidade, e incendeia tudo o que encontra pela frente. A última
vez que a lava chegou ao Lago Villarrica, na base do vulcão,
foi em 1968. Em 71, com uma nova erupção, a corrida
arrasou o antigo povoado de Coñaripe, onde agora restam
cruzes em memória às vítimas na beira da
estrada.
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Andrés Baró, 28, carioca, jornalista, autor do texto
e fotografias.Para mais informarções visite o site
www.oniria.com.br
ou mande email para andbaro@onira.com.br
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