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SNOWTRIPS
Snowboard no Vulcão Villarica
por Andrés Baró


parte I - intro e subida | parte II - cume e descida


O imponente vulcão Villarica soltando fumacinha no topo de seus 2840 metros

Isabel Clark Ribeiro, carioca, 24 anos, é campeã brasileira e sul-americana de Snowboard

Klaus Thiele, 58, trinta de montanhismo, dois no Villarrica, proprietário da agência de turismo aventura Anden Sport

Benedito Neto, 30, curitibano freerider chorão – emociona-se facilmente frente à neve virgem.


Em zigue-zague, a equipe ganha terreno aos poucos, administrando a fadiga.

Andrés Baró, 28, carioca, jornalista, autor do texto e fotografias – agora snowboarder desde criancinha



Patocinadores e apoiadores da aventura:



Foram cinco horas de escalada nas encostas de um dos vulcões mais ativos do planeta, o segundo do Chile, o fumegante Villarrica. No alto dos 2840 metros de seu cume, os quatro integrantes da expedição, Isabel, Bene, Baró e o incansável Klaus, veterano guia alemão, se maravilham com a visão desconcertante dos confins da Cordilheira dos Andes; onde as montanhas nevadas começam a diminuir e dispersar-se, cedendo espaço a verdes vales, rios caudalosos e aos enormes lagos andinos...

O forte cheiro de pólvora, oriundo do enxofre exalado pela montanha, inundava nossos pulmões... Fracos, com pernas bambas, tentávamos recompor-nos da incrível façanha recém-realizada. Longos trechos de neve fofa e o perigoso gelo que envolve os 200 metros de diâmetro da boca do vulcão foram vencidos a custa de muita raça: “Não imaginava que a subida fosse tão cansativa e, em alguns pontos, traiçoeira, como o trecho final de puro gelo”, confessava nossa ilustre companheira, Isabel Clark, campeã brasileira e sul-americana de snowboard.

As pranchas carregadas por toda a montanha nas mochilas consistiam em nosso meio de volta à civilização. Finalmente iríamos surfar um dos fora de pista mais almejados da América do Sul! Passavam das 16h30, Klaus nos alertava para a descida - corríamos o risco de ficar sem luz no meio da ladeira...


Subida Penosa
Apesar de ser considerada uma escalada de nível fácil por alpinistas profissionais, ou mesmo um trekking pesado, para nós, meros aventureiros com as pranchinhas nas costas, a subida à cratera foi um sacrifício extremo. Ficamos na média, superamos a enorme ladeira nevada em cinco horas.

Munidos de grampões, anexo de metal dentado na sola da bota, e piolets, espécie de picareta própria para o gelo, começamos o longo trecho de neve fofa seguindo os passos de Klaus. Ganhávamos altura aos poucos, seguindo em fila e em zigue-zague, administrando o ritmo – fala-se apenas o indispensável, procurando manter a respiração.

O cume sempre fumegante esconde-se e aparece, nos engana. Parecia que não faltava tanto assim. Doce ilusão, apenas passava da primeira hora de escalada... Nas paradas para o descanso, saciávamos a sede e a fome, com frutas e chocolate, sentados de cara para a vista mais espetacular das nossas vidas: três lagos majestosos, o Villarrica, o Caburga e o Huilipilun que mudam de cor com o passar do dia; no horizonte, fileiras de montanhas nevadas; picos de montanhas vizinhas parecem estar ao alcance das mãos; ao Leste, em direção à Argentina, ergue-se o imponente vulcão Lanin, com seus 3807 m... A cordilheira nos abraça! Bel, descontraída, contempla a cidade de Pucón em miniatura e me pergunta “Onde vamos jantar??”

Gelo Traiçoeiro
A escalada continua passo-a-passo. A cratera nos guardava o pior castigo: nos últimos 100 metros a energia se esgotou! Os ventos confusos sopravam forte ao redor do cume, transformando a neve em gelo. As pranchas carregadas nas mochilas teimavam em derrubar-nos, como um pára-quedas, obrigando-nos a escalar agachados: mão direita encrava o piolet no gelo, seguida de um passo e depois do outro. Chutes no gelo fixam os pés na “rocha” gelada – qualquer escorregão entregava-nos ao risco de deslizar ladeira abaixo. Haja fôlego! Sem dúvida o lugar mais inóspito que enfrentara até então. Relatos ouvidos nas vésperas vêm à mente com imagens de pessoas despencando por dezenas de metros, quebrando braços, pernas, clavícula... Realmente, com o gelo, não há como parar!




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